terça-feira, 3 de janeiro de 2017

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BOLÍVIA - Relato de Viagem


Dia 1 - Curitiba, Brasília e Campo Grande (24-12-2011)
Era uma vez um voo
que iria fazer a rota Curitiba até Brasília, e acontece que tal fato aconteceu. Tudo super tranquilo para começar as 9h08 a viagem rumo á Bolívia.
Desembarcando de um voo
Brasília Campo Grande já começam as novidades, na cidade não é possível pagar o circular com dinheiro vivo, somente com cartão, um bom cidadão notou isso e pagou minha passagem, claro que paguei a ele em dinheiro. Na rodoviária para comprar passagem até Corumbá outra surpresa, um chá de mais de 8h de espera por um ônibus, a Andorinha resolveu não colocar carros extras na linha. No meio da espera já encontrei uns perdidos de São José dos Campos onde seguiríamos viagem juntos até Sucre.
Pelo menos o ônibus foi muito bom para Corumbá, super confortável onde foi possível dormir sem problemas. Detalhe curioso de Campo Grande é que aqueles botões de sinaleiro aonde o pedestre aperta para fechar e poder passar realmente funciona.


Dia 2 - Puerto Quijarro (25-12-2011)
Depois de uma viagem que nem vi cor dela cheguei a Corumbá, 5h30 já estava esperando o banheiro abrir pois tomar um banho estava no primeiro item da lista. Por incríveis R$1,50 é possível tomar um banho e até usar aquela privada esperta. Próximo passo era seguir e garantir a passagem para Santa Cruz. Táxi
muito caro até a fronteira e contando com a simpatia de um morador local, chegamos de carona até o destino, detalhe que o senhor era Curitibano, quem diria que alguém de Curitiba foi tão gente boa assim. Cidadão simples e honesto tem em todo o lugar.
Ninguém da Polícia Federal para dar entrada na Bolívia, fui até a estação esperar para comprar a passagem no Trem da Morte, a bilheteria abriu as 9h e como não tinha o carimbo de entrada no país precisei voltar para fazer isto.
Passado na Federal do Brasil e na Policia de Fronteira boliviana, voltei a estação e finalmente lugar garantido por 127 bolivianos até Santa Cruz, no trem Super Pullman. Isto eram 11h e o trem somente ás 16h, e Quijarro não é exatamente uma cidade turística. Um lugar pobre parecia abandonado pela manhã. Os atrativos da cidade é seu povo comer frango, bife com arroz das 7 da manhã e durante o almoço eles não comem nada, as refeições são feitas de manhã e no final do dia, as crianças comem normalmente durante o horário do meio-dia. Qualquer lugar que você vá gastar dinheiro em Quijarro existe o preço de cliente para cliente, nem acho isto ruim, mas é preciso saber negociar tudo. Nos casos da fruta que fui comprar tudo era 12, mas a própria vendedora não sabia o que era 12, se eram as maçã
s com os pêssegos, ou somente a maçã ou o pêssego. Resumo do dia que almocei um frango, arroz e batata frita por 12 bolivianos, em um lugar chamado de mercado pelos moradores locais. Em raros lugares existem preços, pois muitos brasileiros passam pela região e é a oportunidade do povo local tirar um dinheiro extra. Calculadora na mão ajuda e muito na hora da conversão.
O famoso trem da morte não tem nada de especial, fui de Super Pullman que até é confortável. Tudo no horário, não entra vendedor nos vagões, o banheiro é normal de um trem, para poucas vezes para embarque, com saída aos Domingos ás 16h, cheguei as 8h da manhã de Santa Cruz, onde finalmente a viagem começa a valer a pena.

Dicas de Puerto Quijarro
- Eles não gostam muito de banheiro, a dica é usar nos hotéis da cidade.
- Brasileiro tem um preço diferenciado, calculadora na mão intimida um pouco.
- Negocie o táxi da fronteira até a estação, deixe bem claro quanto foi o combinado.
- Eles não almoçam, só café e janta, portanto fique ligado se tiver fome.
- Sem carimbo da aduana não é possível comprar passagem de trem, evite o vai e volta.
- Não se surpreenda com os carros locais, muitos são caindo ao pedaços e bem tunados em relação ao Brasil.
- Existe um avião que sai de Puerto Suarez (11 km para frente de Quijarro) para encurtar o caminho até Santa Cruz, os horários não são bem definidos, a empresa TAM faz a rota e o preço compensa.

Dia 3 - Santa Cruz, Sucre e Potosi (26-12-2011)
O planejamento já começou a ir por água abaixo, pois sabia de um horário de avião até Sucre. Como o trem chegou ás 8 da manhã, pensei e fui até o aeroporto de Trompillo para tentar um voo
, primeiro a moça falou que não tinha. Depois tinha e começou uma correria, voltei de táxi até o terminal bimodal para avisar o pessoal que havia encontrado pelo caminho.
Resultado da correria que comprei minha passagem para Sucre por 48 dólares, economizei de estrada cerca de 17 horas, detalhes para o voo
.
Primeiro que comprei passagem e a atendente rasgou um pedaço de papel e colocou meu nome, simples assim, não tinha lugar marcado, minha bagagem não tinha marcação nenhuma, eu mesmo levei a bagagem até o avião, raio-x é coisa para os fracos na Bolívia, entrei no Bae 146 da TAM e acabei indo na janela, fila 2. Lindas paisagens aéreas da região montanhosa de Sucre. Para pousar senti que nunca iria parar aquele avião, imagino que seja pela altitude, foi abrir a porta do avião que a sensação é outra, frio com vento. Como tudo na Bolívia é organizado, eu mesmo fui retirar a mochila do porão do avião, andei na pista do aeroporto por onde queria. O Aeroporto de Sucre é no máximo simpático, e assim como o Trompillo existe um deck aberto para visitação, nota 10 para o povo boliviano pela educação. Em Sucre o negócio era somente passar o dia e partir para Potosí, mochila na rodoviária rodei a cidade e não consegui encontrar nenhum super atrativo para turista, igrejas, construções antigas é o melhor que podemos encontrar.
Como a viagem em si começa em Sucre, é possível notar as clássicas mulheres bolivianas e seus trajes típicos vendendo tudo o que você possa imaginar, o mercado municipal é enorme e se encontra tudo sem a menor higiene, carne a céu aberto, doces como pudim fora de geladeira, macarrão naqueles sacos de feijão que se encontra ainda nas feiras no Brasil.
Arrisquei para almoçar uma pasta (macarrão), pollo picante (frango com pimenta), batata e uma soda (fanta). Estava bem gostoso até por 11 Bolivianos, ali eu aprendi uma coisa, o povo boliviano toma tudo natural, coca, fanta, cerveja tudo quente, a partir dali aprendi a pedir gelo, só que em raros casos ele tem gente, se for para a Bolívia vai se acostumando.
Ja tinha comprado meu bilhete para Potosí ás 18h, então era só esperar o horário rodando pela cidade, fui até o mirador (mirante) e deu para fazer boas imagens, mas Sucre em si para o mochileiro vale somente de passagem.
Antes de partir para Potosí tomei uma ducha (banho) do lado da rodoviária por 5 bolivianos, comi um sonho na panificado ali do lado. No busão com 34 lugares da Trans Imperador começava uma pequena aventura até lá, primeiro que é apertado de lado, pois o ônibus é pequeno, esquisito e nem tem banheiro, por 3 horas de viagem até vai né. Ele começou sua rota numa boa, e no meio do caminho parou umas 5 vezes para as vendedores entrarem oferecendo seus produtos, acredito que rolou até alguns frangos, balas, sodas em um saquinho plástico que lembra no Brasil o famoso geladinho. Tinha um nativo do meu lado e do outro lado (acredite) um mexicano, na última fila dos ônibus são 5 lugares. A viagem foi seguindo até umas horas que o motorista devia estar uns 130 kph, não chegou a dar medo, eu diria que foi uma preocupação pois ele passava no buraco com a mesma velocidade, no final das contas as 21h estava em Potosí, e meu amigo mexicano me ajudou a procurar uma hospedagem. Um quarto limpo por 25 bolivianos não é nada ruim, sai com o mexicano e comemos um pollo frito que estava demais, um mini city tour a noite para conhecer Potosí e voltamos para o Hostel Copacabana, que recomendo pois também guarda a mochila sem problema no dia seguinte.
A única coisa que sofri com altitude de Potosí foi na hora de fazer algum esforço maior, subir escadas por exemplo, a respiração foi numa boa e não precisei tomar nada naquela noite.

Dicas de Sucre
- Por 3 bolivianos você deixa sua mochila na rodoviária e anda despreocupado.
- O mirante vale a pena ir, é possível chegar a pé até ele seguindo rumo a rodoviária.
- Se for a Potosí a carreata de horários só saem até as 18h, ficar ligado para não perder o dia, Sucre realmente é bonita mas não para mais que um dia.
- Não fui ver as pegadas do dinossauros, mas é um ponto comentado pelos moradores locais.

Dia 4 - Potosí (27-12-2011)
Não fez o frio esperado naquela noite em Potosí, e acordei por volta ás 7 horas pois era o melhor momento para registrar os pontos principais na cidades, pois tudo abre mais tarde. Fiz um ótimo desayuno (café da manhã) na confeitaria Santa Clara por 11 bolivianos e partir para fazer o Passeio de Cerro Rico, subimos com uma daqueles mini-vans até a entrada da mina.
O passeio é legal mas dependendo da pessoal ela pode odiar, andar por dentro de uma mina cheio de barro e lama por exemplo não é uma experiência para todos. A guia Olga nos deu uma longa explicação sobre todo do ritual de trabalho e crenças dos mineiros, estava com 2 argentinos e 3 holandeses neste passeio. Depois de falar um montão andamos mais um pouco, até subimos de nível dentro da mina e saímos com uma visão incrível de Potosí, o passeio saiu por 70 bolivianos, mas se consegue mais barato, não faltam agências na cidade.
De volta a cidade quase morri no almoço com uma pasta e pollo caliente, mas desta vez tinha até coca-cola gelada. Rodei mais um pouco a cidade, até que me perdi de onde tinha deixado minha mochila, foi preciso uma ajuda extra para achar o hostel. No final de tarde fui conferir o tão falado museu da casa da moeda, a guia era uma preguiçosa que não queria explicar nada, e o museu é bem chatinho, dinheiro perdido. O dia termina em Potosi com as mesmas impressões de Sucre, cidade bagunçada com um transito sem noção, o próximo destino é um ponto chave de viagem, Uyuni.

Dicas de Potosí
- O passeio de Cerro Rico é bem diferente do que o Brasileiro está acostumado, é bem legal andar nas minas, só não é recomendado para quem sofre de claustrofobia.
- A casa da moeda é somente para fãs de museus, eu me arrependi de ter feito, chato demais ficar vendo como eram fabricadas as moedas, há gosto para tudo no mundo.
- Aproveite e fique um tempo na praça central, existe todos os tipos de Bolivianos na região.
- Vale a pena comer no Santa Clara, ótimo doces e salgados.
- Compre suas Sorojchi Pills (remédio para o mal de altitude) em Potosí, a cidade esta a 4060 metros e a altitude pode lhe pegar ali, as folhas de cocas são boas mas o remédio fez melhor efeito em mim quando fui precisar em Uyuni.

Dia 5 - Uyuni (28-12-2011)
Começa o quinto dia de viagem com a chegada logo antes da meia-noite em Uyuni, Hostel bem na frente aonde o ônibus para e acabei dividindo o quarto com uma dupla de Aracaju que conheci em Potosí. Cedo acordamos e fui correr atrás de uma agência para fechar o passeio, ai começa um pouco do padrão Bolívia, todas querendo meter a mão pois tenho cara de turista. Fiquei sem ar por correr em Uyuni, mesmo passando por Potosí que é mais alto. Acabamos fechando o passeio por 733 bolivianos, para começar a dona da agência falou que iríamos
conhecer o Salar e voltar pois não seria possível dormir no Hotel de Sal, até vai pois fiquei sabendo em cima da hora e não seria possível achar outra agência. Na última hora também vieram mais 2 pessoas, um casal de Britânicos, fazendo um overbooking no carro. Mesmo apertados fomos até o Salar e o famoso espelho no sal foi possível devido as chuvas de Dezembro, sem horizonte foi a melhor paisagem na Bolívia até o momento. 
No almoço pela primeira vez comi carne de Llama e coca-coca ao natural, mesmo com o chão torrando de calor. A ida até a ilha do pescado não foi possível devido ao excesso de água, eu acredito. Antes do Salar teve o cemitério dos trens, que não passa de um monte de trem velho jogado do deserto, dai eles fazem daquilo um ponto turístico, vai entender. De volta para Uyuni fomos tomar uma sopa tradicional e comer um frango a milanesa muito bom, no Hostel pago pela agência dormiu a dupla de Aracaju, os Britânicos e eu. Hora de dormir que o segundo dia parecia ser longo pois iríamos
sair as 6 da manhã.

Dia 6 - Uyuni (29-12-2011)
A dona da agência apareceu somente ás 8h, e ficou nos enrolando até as 9h30, horário que finalmente o carro partiu para o segundo dia, a enrolação foi que ela conseguiu dois mexicanos para ir no carro, substituindo os dois argentinos que compraram o passeio apenas para o primeiro dia. Novamente o carro com overbooking, começou a interminável viagem até a Laguna Colorada. Primeiro que o carro cruzou metade do Salar a uns 5 km/h devido as chuvas. Muitas horas depois as lindas montanhas de neve vieram a aparecer, todo o cansaço de viajar horas acabo sendo recompensado, durante o segundo dia foi apenas viajar e apreciar o visual. O frio do deserto veio a tona quando chegamos nas pedras no meio do nada, muito vento acima dos 4400 metros de altitude, uma corrida de 100 metros me deixou muito cansado.
Depois de 12 horas da saída de Uyuni foi avistado o alojamento aonde dormiríamos. Agora para 150 bolivianos para entrar em um lugar que não tem dono é sacanagem. Na janta macarrão e sopa tradicional, mais brasileiro e só gringo no alojamento. Dormir cedo pois no próximo dia acordar as 4h15.

Dia 7 - Uyuni (30-12-2011)
Último dia do tour foi para acordar as 4h15 e ir curtir o Geisers da Montanha, uma hora para chegar ao local. Foi interessante ver no meio do deserto, uma fumaça com cheiro de ovo podre sair do chão, mas nada espetacular também. Continuando fomos até as águas termais, onde alguns tomaram banho, eu preferi tirar fotos das Llamas e pássaros da região, a viagem seguiu durante horas e cruzarmos mais montanhas, o famoso vulcão Licancabur que estava dormindo, chegamos até a fronteira do Chile onde retornamos para Uyuni, e como foi sofrido viajar pois o carro era apertado, e na parte de trás ficávamos revezando quem iria sofrer um pouco. Os ingleses ficarão boa parte atrás, um povo educado é outra coisa. 
Lagoas, montanhas e desertos finalmente chegamos em Uyuni. A noite me despedi da dupla de Aracaju e do casal Britânico durante um jantar em uma pizzaria para gringos, o milagre aonde que consegui tomar uma Sprite quase gelada. Ô ônibus para Oruro foi até que bacana, fora a zona que é para embarcar, você mesmo coloca sua bagagem no bagageiro no ônibus sem etiqueta, portanto é só rezar para sua mochila chegar.

Dicas de Uyuni
- Se você não tem muito tempo nem paciência é furada total fazer os 3 dias, as fotos na Internet é tudo no primeiro dia.
- Chore bastante para conseguir um bom preço, tem gringo pagando 200 dólares, a média deve ficar em 100 dólares.
- Não compre lembranças de Uyuni, é mais caro, a menos que seja por exemplo uma camiseta que só se ache em por lá.
- Não deixe que a agência faça overbooking no carro, a viagem é bem cansativa para ficar apertado, e nada de voltar para a cidade no primeiro dia, senão o próximo dia será sofrido e corrido demais.
- Geralmente o povo segue para La Paz, mas uma parada em Oruro para compras vale a pena, os preços são muito bons.
- A mais importante de todas, o motorista do carro que fui faz o passeio por conta própria, cobrando muito menos, levando cozinheira e colocando menos pessoas no carro, vale a pena tentar um contato se ser por agência, pois a mesma explora os motorista, pagando cerca de 300 bolivianos por um carro lotado com 7 pessoas a 300 bolivianos cada, detalhe que o motorista é obrigado a pagar pela gasolina e refeições, vale lembrar que esse é o caso do nosso motorista, mas acredito que vá acontecer com outros na cidade.

Dia 8 - Oruro e La Paz (31-12-2011)
Foram sofridas 9 horas de viagem de Uyuni para Oruro, para variar um pouco o ônibus não tinha banheiro. Somente na sétima hora o motorista resolveu para um pouco para o pessoal tirar uma água do joelho, nem vou reclamar que levou mais de 1 hora para o meu assento baixar, estava travado e dei uma porrada para pode rebaixar, fora o calor que estava ali dentro. Às 5 da manhã e pagando 50 bolivianos para fazer esta viagem, chego a Oruro e me deparo com uma cidade mais doida que Sucre em relação ao transporte público, é agente das empresas gritando o tempo todo, os carros saem da rodoviária e param no meio da rua, os agente gritam até aquele negócio encher, um pouco diferentes das demais cidades que conheci.
Em Oruro muita gente gritando oferecendo seus produtos, mas todos os tipos inimagináveis de produtos, acabei comprando somente 2 blusas, é muito confuso e difícil de escolher, segui para La Paz que vou ter mais tempo até escolher melhores os produtos. Meu embarque aconteceu as 11h30 pela empresa Naser, como estava de olho nos carros dela para La Paz, acabei acertando e vim em um 2 andares na parte de cima, viagem chatinha de 4 horas e custo de 20 bolivianos. Só voltando para Oruro um pouco, nunca vi tanto cocô de cachorro como vi por lá e lugares na rua alagados, meu pé acabou experimentando uma das poças de água.
Na bagunçada La Paz só tive tempo de tirar tudo da mochila para tentar arrumar de uma vez por todas, fiz as contas de quanto dinheiro tinha e fechei os dois primeiros passeios na cidade, Tinawaku e Chacaltaya, acabei decidindo ir Copacabana fazer a Isla del Sol e depois voltar para La Paz e fazer o Downhill. Minha ceia de réveillon foi sozinho com um tradicional pollo picante com fritas, problema que eu gostei do prato e em Curitiba não vou achar igual.
O dia e o ano estavam acabando e eu tranquilamente tirando uma fotos nas clássicas ruas de La Paz, já debaixo de chuva quando um guarda -chuva veio até a minha cabeça, quando olho para o lado vejo um boliviana interessante (coisa rara), com um jeito semi bebassa já falando que as fotos são medíocres, perguntei porque e ela respondeu que La Paz é assim. Nem tentei perguntar muito pois meu espanhol é fraco, ai conversamos um pouco e ela gritou, então me da um abraço, claro que lhe dei um abraço e depois começou a falar um monte de coisas, de um jeito que não teve alternativa, dei um pega nela no meio da rua, e o medo de um policial encrencar com isto. Fiquei meio desconfiado, pois tenho cara de turista, tentei tirar uma foto dela mas sem muito sucesso, depois de uns beijos ela pegou e foi embora andando na chuva e as vezes dançava, tentei perguntar o que ela iria fazer no réveillon, eu só ouvia coisas sem entender nada, posso falar uma coisa, além de ser um final de ano totalmente diferente, sozinho e longe de casa, tem cada coisa que aparece nas viagens que a tornam cada vez mais inesquecível, não o beijo em si, mas a situação inusitada.

Dicas de Oruro
- Com um dinheiro sobrando é possível comprar boas roupas e outras bobagens eletrônicos, não lote tanto sua mochila antes de viajar.
- Na rodoviária não fique surpreso, seu ônibus parece que só sai se estiver lotado, como acontece em toda a Bolívia. Fui pela Naser até La Paz em um 2 andares semi-leito por 20 bolivianos, você vai precisar dele quando chegar em El Alto e o ônibus ficar encalhado.
- Choveu bastante no dia que estive por lá, e parece que a cidade mais suja da Bolívia, há lixo e muito mau cheiro por todos os lado, acostume-se.

Dia 9 - La Paz (01-01-2012)
Este roteiro ainda começa antes do réveillon, onde as 23h30 fui até a Praça Murillo, uma das mais tradicionais de La Paz, estava sozinho somente esperando o ano virar. A surpresa foi que faltando uns 5 minuto, Sam e Jacky (os Britânicos) aparecem junto com outros amigos ingleses. Então 2012 começou completamente incrível, Jacky e eu falando espanhol, inglês ao mesmo tempo, Sam que nos 3 dias de Uyuni parecia um cara tranquilo tomou todas e falava muitos palavrões, fomos até o mirante da cidade onde cumprimentamos várias pessoas da cidade. Nunca falei tanto inglês na minha vida, se é que falo, Rachel que conheci ali fazia piadas e eu até mandava ver em ironias em inglês, eu tentando explicar como se fala “feliz ano nuevo” foi muito divertido.
A visão de La Paz comemorando o ano novo é sem explicação, agora eu posso garantir, mesmo não tenho as pessoas mais queridas da minha vida, as coisas foram acontecendo de maneira tudo certa, melhor ano novo da minha vida por todas as situações inusitadas.
Pela manhã estava marcado o tour em Tinawaku, a van da empresa passou as 8h30 no hostel e logo vejo brasileiro, pronto né, era um casal de Campo Grande e mais 3 pessoas de Chapecó-SC, sempre os brasileiros mais animados até o sítio arqueológico. Que por sinal é uma grande perca de tempo e de 150 bolivianos, é ótimo para quem gosta de ver pedras e ouvir as histórias do guia. Não recomendo a ninguém mesmo, a única coisa bacana no tour foi ver o susto que uma gringa levou quando o guia explicava sobre uma pedra que servia de megafone na época, e uma dupla de francesas bem bacanas, fora isto é tempo e dinheiro perdido, mas como foi feriado no mundo não tive opção.
De volta para La Paz, já que Tinawaku fica em El Alto, fiz mais um city tour na cidade e dei uma olhada no famoso Calle de Las Brujas, praticamente tudo fechado por ser dia primeiro do ano. No caminho uma policial feminina me deu um conselho sobre não andar com a câmera digital no pescoço, dae andamos algumas quadras conversando e ela comentou que gosta muito do Brasil, as vezes as pessoas nos surpreende, principalmente um país aonde as pessoas não são tão atenciosas com turistas.
No final da noite passei para ver os amigos Jacky e Sam no hostel perto do meu, Sam estava podre da festa de virada de ano, dor nas pernas e apenas tomando Tampico para recuperar. Acabei reencontrando os mexicanos no mesmo hotel de Jacky, juntamos nos cinco e fomos comer uma pizza, na mesa para variar aquela confusão para se entender, rolava espanhol, inglês britânico, português, mas tivemos até papos sobre tráfico de drogas no México. Como minha agenda estava novamente montada me despedi dos amigos gringos, esperando reencontra-los em algum lugar do planeta, no meu caso na América do Sul pois Europa ainda tem um alto custo, até agora foi muito legal conversar em outras línguas, se entender as vezes por mímica
, usar os Mexicanos como tradutores do espanhol para o Inglês e vice-versa. A minha próxima etapa é subir o Chacaltaya no dia seguinte.

Dia 10 - La Paz e Copacabana (02-01-2012)
O segundo dia do ano começou na esperança de ver a neve cair no Chacaltaya. As 9h a van do tour passou no meu hostel onde reencontrei alguns colegas de Campo Grande e onde conheci um casal da Alemanha, mais brasileiros, duas americanas e uma holandesa. Foram quase 2 horas até chegar a entrada do Chacaltaya, sempre com um visual de arrasar. Pisei na neve pela primeira vez na vida e acabei descobrindo que ela não passa de um gelo raspado. A medida que fui subindo para encarar a parte final da montanha a neve foi aumentando, a ponto de afundar até o joelho. Os 100 metros final de subida foi muito difícil, a chegada para os 5400 metros de altitude levou quase 15 minutos e folhas de coca para tentar dar uma força, ali foi o primeiro momento que senti a altitude, nenhuma dor e sim a falta de força para subir, mas como estava ali para conseguir, reuni o gás final e cheguei ao topo do Chacaltaya, tirei fotos com a minha bandeira boliviana e os gringos que conheci.
A descida foi muito fácil, dando até para correr e se jogar na neve, paisagem branca linda demais, e tour daquele dia seguiria para o Valle da Luna que se encontrava fechado por ser feriado, na Bolívia
se o feriado cai no domingo eles guardam a segunda-feira. Mesmo assim a guia nos levou para ver umas formações rochosas que achei bem sem graça. O dia ainda teria uma viagem de 4 horas até Copacabana.
De volta para o Hotel peguei minha bagagem e segui até o cemitério de La Paz, local onde saem os ônibus para Copacabana, nem desci do táxi
e já me ofereceram uma passagem para Copa, naqueles ônibus padrões Bolívia, 37 cabeças espremidas em um micro ônibus. Nem ligo muito pois sabia que a falta de conforto é padrão. Um fato estranho que me aconteceu foi o ônibus parar no meio do caminho e todo mundo desembarcar, era a travessia do lago Titicaca, passageiros vão em um outro barco, balançava demais, parecia que iria naufragar aquele troço, a tarifa é de 1,50 bol. Cruzado o rio e de volta ao ônibus chego a Copacabana por volta das 21h e sofro para achar um Hostel, se você esta viajando sozinho na Bolívia e procura um quarto para 1 pessoa a maioria dos Hostels fala que não há vagas, eles preferem esperar uma dupla chegar, assim eles faturam em dobro.
Acabei achando um bem fuleiro por 20 bolivianos onde não tinha descarga, funciona de forma manual. Havia um tambor de água do lado aonde você enchia o balde e jogava na privada. O local de banho também não contava com uma estrutura muito boa, era preciso tomar banho totalmente no escuro. Para mim sem problemas, o valor pago não poderia exigir muita coisa. Sai do Hostel e fui jantar onde encontrei duas inglesas super simpáticas, jantamos juntos, conversamos e tiramos fotos, o nome de uma das meninas é demais, Violet. Hora de dormir pois no próximo dia iria rolar a Isla del Sol.

Dia 11 - Copacabana (03-01-2012)
Havia comprado meu boleto (passagem) no dia anterior. Embarquei no sonolento barco que me levaria até a famosa Isla del Sol, o tempo estava carregado e até começou a chover fraco. Logo abriu e o guia nos levava e dava um monte de explicação que em espanhol eu boiava. Depois de subir a uns 4400 metros o guia de despediu e deu a explicação sobre a ilha, fazer o trekking do lado norte para o sul que levaria no máximo 3 horas. Acontece que tem duas descidas para quem pega o barco em Copacabana, se você desce na primeira parada é preciso ficar por ali e esperar o barco das 15h30 para voltar a Copa, se descer na segunda parada fazer esse trekking para voltar até as 15h30 no setor Sul da ilha. Claro que fiz a parte mais difícil que era andar no sol torrando de Copacabana, fiz em sofridas duas horas, pois a altitude variava de 3800 a 5000 metros acima do nível do mar, e se cansa muito mais rápido, no meio do caminho, as taxas surpresas que se paga por passar pelos povoados, são duas de cinco bolivianos cada uma. Chegando no setor Sul comi uma bela Trucha com coca gelada (sem precisar pedir) por 40 bolivianos, no Brasil comer em um lugares assim sairia no mínimo 40 reais. Volta numa boa para Copacabana fui buscar um ônibus para voltar a La Paz. No ônibus um monte de Brasileiros vindos de Cuzco e meio perdidos por precisar descer no meio do caminho, dei algumas dicas aos cariocas que seguiriam para Uyuni.
De volta para La Paz eu encontro no meio do caminho os amigos Alemães que havia feito o Downhill no dia e tinham adorados, o medo que virou empolgação ao contar como foi. Dobrando mais uma rua os Mexicanos estavam indo se encontrar com mais alguém e ir não se sabe aonde, mas falei que ainda estava procurando um hostel. Logo que encontrei um hostel conheci uma carioca super simpática e resolvemos tomar uma das tradicionais sopas, no final lhe dei algumas dicas de como é Copacabana.

Dicas de Copacabana
- É bonito e vale a pena ir, mas acredito que sozinho um dia é suficiente.
- Os barcos saem em 2 horários, 8h30 e 13h30. O mais cedo para em 2 lugares, descendo apenas no segundo é preciso cruzar a ilha a pé, altitude e trekking para quem esta preparado é fundamental, são 2 horas em um ritmo forte.
- Coma o peixe Trucha na cidade e na Ilha, vale a pena pois o preço é muito barato, na média 30 bolivianos.
- É um lugar como todos os outros na Bolívia, se paga até para respirar, durante o cruzamento da ilha existem 2 pedágios que custam 5 bolivianos.

Dia 12 - El Alto e La Paz (04-01-2012)
Este dia serviu como folga em La Paz, fui ver como era o Aeroporto de El Alto, e realmente é bem fraco de movimento e estrutura. Curti mesmo é fazer umas fotos panorâmicas de La Paz, liguei para o Brasil, andei pelo centro, fiz câmbio e fechei o passeio de Downhill para o próximo dia, um dos passeios que mais me deixou empolgados em fazer.
Descobri também o famoso salgado que havia comido e adorado, é saltenã, espécie de esfirra no formato de cone com frango ou carne por dentro, mas muito melhor que qualquer salgado feito no Brasil, só vale ressaltar que se for picante cuidado, sua boca vai arder bastante.

Dia 13 - La Paz e Coroico (05-01-2012)
Um dos dias mais esperados da viagem chegou, o Downhill de bicicleta pela estrada da morte foi comprado por 340 bolivianos, uma bike com freio hidráulico em um dos eixos. A minha sorte foi que o café da manhã foi ao lado do meu hostel naquela noite. Reunião de todos os participantes daquela agência, só para variar um pouco, seis brasileiros na mesa, 3 caras de Curitiba, 1 de São Paulo e duas lindíssimas estudantes de Medicina também de São Paulo.
Após o café todos foram as vans e subimos aos 4700 metros para começar a descida, agora realiza o frio que fazia naquela altura com nevoeiro tomando conta de toda a área, mesmo com duas luvas minhas mãos doíam de tanto frio. Vieram as instruções, fotos e pronto, a descida foi autorizada nos 5 primeiros minutos para testar a bike. A emoção já começava ali pois não se enxergava mais do que 2 metros á frente, e um pequeno trafego subindo a estrada da morte deixava ainda mais perigoso. Tudo certo no primeiro trecho até começar a limpar o nevoeiro, foi quando resolvi acelerar um pouco o ritmo e tentar filmar a descida ao mesmo tempo. O resultado foi esperado, em uma descida a uns 30 km/h fui para o chão me ralando bonito. Por sorte mãos inteiras, cotovelos idem e somente as pernas cheias de marca da queda. Isto não me impediu de continuar o Downhill, as dores só viriam a tona no final do dia, pois a adrenalina era muito maior.
A descida seguiu normalmente com alguns trechos realmente perigosos e outros nem tanto, como visto na Internet. Pausa para fotos em muitos lugares e só ficou difícil quando o terreno ficou plano e foi preciso pedalar, o sol já era muito mais forte e o cansaço também. A chegada na cidade de Coroico fui empurrando a bicicleta pois estava sem força depois dos 60km, que não acredito que tenha sido tudo isto. Banho e almoço inclusos do passeios, a volta para La Paz foi para descansar e esperar pelo CD do passeio que só viria ficar pronto na próxima manhã.
Muito relatos falam que o Downhill é perigoso e que a melhor bicicleta é necessário. Na minha opinião foi até considerado fácil, o maior problema foi o frio no ínicio e o calor demais no final. As bicicletas da agência estavam super boas, houveram quedas como a minha, mas foi descuido mesmo. Quem não tem nenhuma experiência em Downhill como eu, pode fazer numa boa, é só ser consciente
e não exagerar na velocidade para não levar aquele pacote. Medo de ir para o abismo foi nulo, talvez pela falta de tráfego subindo pela estrada da morte, a recomendação do guia era sempre ir para o lado do abismo, caso venha algum caminhão subindo, no meu caso nenhum tráfego durante a parte mais difícil. Recomendo a todos que gostem um pouco de adrenalina e que saibam andar de bicicleta.

Dicas de La Paz
- La Paz vale a pena ficar mais tempo do que o planejado, apesar de complicado no inicio logo você utiliza o sistema de transporte público e conhece muitos lugares.
- Mesmo na pechincha o Mercado das Bruxas é preço para turista, existem outras opções para comprar coisas típicas.
- Tinawaku é coisa para historiador, Chacaltaya é para quem quer sentir falta e ar e testar os limites da vontade, Downhill é programa obrigatório para aventuras em cima de uma bike, eu só não gostei pois o guia para muito no caminho, Valle de la Luna é perder tempo.
- Faça um giro bela cidade e tire belas fotos das construções antigas.
- Se hospedar no hot point de La Paz é a melhor pedida, as ruas Santa Cruz e Sagárnaga tem muitas opções de albergues, agências de turismo e compras.
- Conhecer o confuso trânsito de El Alto é show, buzinas e carros para todos os lados.
- Procure não ficar em hostel aonde será preciso subir as ladeiras toda hora, o cansaço é imediato.
- Não se preocupe em viajar sozinho, você irá encontrar algum gringo para conversar, em La Paz no final de ano, tem Brasileiro a cada esquina.

Dia 14 - La Paz, El Alto e Cochabamba (06-01-2012)
Um dia perdido podemos falar assim, pois precisei ficar esperando pelo CD do Downhill que acabei retirando antes de partir para Cochabamba. Ônibus razoável da Trans Crucero durante a primeira viagem longa realizada durante o dia, dois moleques chatos no banco do lado, aproveitei para assistir algumas séries durante quase 8 horas de viagem, 1 delas só para conseguir sair da complicada El Alto.
O visual até Cochabamba é incrível, a estrada parece que foi aberta do meio das rochas. Choveu durante uma parte do trajeto, o que fez dormir os guris xaropes. A chegada foi tudo bem, fora a imensidão sem fim de pessoas no Terminal de Cochabamba, acabei escolhendo um hostel próximo da rodoviária, pois seria um ponto de referência. Sem boas opções para comer fui comer um lomito feio por aquelas tias no meio da rua, resultado foi possível ver durante a subida no Cristo no próximo dia.

Dia 15 - Cochabamba (07-01-2012)
Acordando em Cochabamba levei um susto ao sair na rua, ela havia sido tomada por uma feira sensacional de tudo que é tipo, foi uma pena pois estava sem grana para comprar camiseta a meros 10 bolivianos. Peguei aqueles ônibus da década de 50 e fui conferir o movimento do aeroporto local. Muito sol e calor mesmo a 2500 metros acima do nível o mar, de bacana TAM e Boliviana de Aviación com aquele deck aberto para o público, apenas com grades que dificultam um pouco as fotografias.
Por volta do meia-dia voltei ao centro e decidi ir até o Cristo Redentor da cidade, antes disto almocei muito bem por 20 bolivianos, sopa e o tradicional arroz, frango e batata. A subida e descida pelo teleférico custa 8 bolivianos e o visual da cidade de Cochabamba é muito legal. Pena que choveu no momento que estava vendo o Cristo, e logo os vendedores de capa de chuva surge do chão, o problema maior é que aquele lomito do dia anterior fez efeito e precisar tirar 1 boliviano para me aliviar bonito lá em cima mesmo. O Cristo não é de impressionar tanto, acabei aproveitando mais o visual mesmo. O que é ruim demais são as filas, levei 1h30 para poder subir e quase 1h para descer. Fui em um sábado e passei até um pouco de raiva.
De volta para embarque até Santa Cruz fui encarar a loucura da rodoviária de Cochabamba, é gente berrando para todos os lados, oferecendo a sua empresa para seu destino, na Bolívia não existe concessão como no Brasil, literalmente quem pode mais, leva o passageiro.

Dicas de Cochabamba
- A principal atração é o Cristo, procure não fazer durante o final de semana, é fila na certa.
- Existe uma feira na frente do terminal de ônibus, os preços das roupas são muito baixos.
- Para você que gosta de apreciar a beleza das bolivianas é o melhor lugar, são poucas mas elas existem sim.
- Cuidado que eles só vendem a passagem de ônibus para o mesmo dia, coisas de Bolívia, é legal ver que muitas empresas ainda utilizam máquina de escrever.
- Uma boa empresa para viajar é a Bolivar, mas é preciso procurar o seu ônibus depois que passar pelo embarque, pelo menos no horário noturno, ninguém vai lhe ajudar a fazer isto.

Dia 16 - Santa Cruz (08-01-2012)
De volta a Santa Cruz de la Sierra 3 dias antes de estar em Curitiba por precaução. Depois de quase 11 horas de viagem vindo de Cochabamba chego a cidade mais quente da Bolívia. E que viagem, primeiro que foi uma zona total para o ônibus sai da rodoviária, depois de passar pelo portão de embarque, o que você precisa fazer é literalmente procurar o seu ônibus em uma confusão de ônibus para todos os lados. Como sou sortudo fui com uma criança chata ao extremo no banco de tras, e a mãe toda hora tinha que ficar dando atenção para a fedelha e ficava empurrando meu banco. Resultado que não dormi quase nada durante toda a noite, o fato curioso que para variar o ônibus não tinha banheiro, e em uma das paradas para a polícia fazer uma revista no busão, fui dar aquela aliviada no mato e uma mulher sem dó nem piedade abaixou as calças e fez numa boa, seguindo a risca a tradição boliviana de fazer em qualquer lugar.
As 6h da manhã fui procurar um hostel para ficar até o próximo dia pois o vôo é dia 11 e preciso chegar a Campo Grande com segurança. Achado o lugar e depois de um banho gelado fui conhecer o aeroporto de Viru-Viru, que fica do outro lado da cidade. Só tinha aviões da Aerosur, para mim então inédito. Bom ver um Boeing 727 ao ar livre, na Bolívia em quase todos os aeroportos, existe decks de observação, sem vidro como no Brasil. É assim que se nota um pouco da educação de cada povo, de volta ao centro e sempre andando de transporte público andei um pouco e constatei que Santa Cruz não passa de uma cidade Brasileira com carros diferentes, inclusive os atrativos que procurei na Internet não me agradaram, acabei voltando para o hotel sem tirar uma foto sequer.
A coisa anormal do dia acontece quando batem a porta de meu quarto, abro e dou de cara com um policial boliviano pedindo para entrar, falei que tudo bem e ele começou a falar que havia sumido dinheiro de um casal que lhe acompanhava, eram uns dólares. Para a minha sorte no momento só tinha boliviano e real, mas já havia sacado dos bolivianos safados. Ele percebeu que eu era turista e inventaram a história que tinha sumido dólares de seu apartamento, inclusive falando que tinha me visto no dia anterior parada em frente ao seu quarto. O policial revistou todas as minhas coisas, e como não tinha nada a temer fiquei numa boa. Vendo que o plano era tão mau feito, os bolivianos começaram a falar que a pessoa estava de gorro azul, detalhe que faz uns 40 graus a noite em Santa Cruz, já meio desconversando tudo. Tive que arrumar minha mala tudo novamente e ficou por isto, agora se eu tivesse dólares muito possível iria ter problemas, a dica é quando fazer o câmbio já marque as notas antes de sair no Brasil. No mais o restante do dia foi para ver a programação da Globo com 2 horas de atraso e esperar a volta para Quijarro.

Dia 17 - Santa Cruz (09-01-2012)
Dia de apenas esperar o tempo passar pois o ônibus para Quijarro somente as 18h30. Passei no aeroporto central para ver o inexistente movimento, depois fui ao Shopping Cine Santa Cruz onde o almoço realmente não tem preço de Shopping.
De volta ao terminal Bimodal, é hora de se despedir da Bolívia pois em Puerto Quijarro é apenas passagem para Corumbá. Mas antes de digamos terminar o roteiro de viagem era de se imaginar que o trecho seria o mais terrível de todos. Já na saída o cara da empresa falou que eu precisava voltar para dentro do terminal só para colocar um ticket de bagagem, mesmo eu estando na Bolívia, estou pagando passagem e acho ridículo fazer isto. Quase 20 minutos, acredite que foi todo este tempo, o cidadão voltou com tal ticket de bagagem. Quando entrei no carro da El Quijarreno senti um cheiro de um ônibus que nunca havia sido limpo da vida, ele pertencia a Bolivar, pois só foi colado um adesivo em cima do nome, coisa que por sinal é tradição, vi até um ex-Pluma rodando em La Paz. Quanto ao cheirinho até vai pois o ar condicionado natural funcionava bem, a janela aberta trazia bons ventos para o busão. Sem banheiro que nesta altura da viagem não era novidade, aquela porra parava a cada 1h30, bem na hora que eu conseguia dar uma dormida, nem vou comentar sobre os vendedores de tudo que entravam no busão, do semi-cama que nada tinha pois o banco mau reclinava, de pessoas roncando, a única coisa que posso falar bem pois o banco vazio do meu lado, pois de resto tudo foi prejuízo. O carro saiu de Santa Cruz ás 18h50 e depois de parar bastante fui desembarcar as 06h10.

Dicas de Santa Cruz
- Se possível faça dela apenas um ponto de passagem, não há nada de legal.
- As coisas são mais caras, aproveite e procure um albergue mais longe do Terminal Bimodal.
- Existe ônibus para Puerto Quijarro, por 70 bolivianos e semi-leito. O trem é furada total.
- Fazer o vôo para Sucre é uma ótima opção, por cerca de 330 bolivianos se corta 16h de ônibus e uma péssima estrada, o vôo sai do aeroporto de Trampillo, que fica no centro.
- Para quem gosta de fast-food existe até Burger King, comer mau não rola em Santa Cruz.
- Para você que vai utilizar o aeroporto de Viru-Viru, existe uma linha de ônibus exclusiva que cobra 6 bolivianos e lhe deixa na frente, taxi é bem caro até lá.

Dia 18 - Puerto Quijarro, Corumbá (10-01-2012)
Assim que saí do ônibus já tinha taxista querendo cobrar 20 bolivianos até a fronteira, só ri e fui por 5 bolivianos em uma condução coletiva. Depois de muito tempo fiz a saída Boliviana e bem mais rápido no Brasil. No meio do caminho muitos Brasileiros para matar o tempo e conheci um menina que estuda medicina em Santa Cruz de la Sierra, dividimos um taxi com mais 2 pessoas que achei pelo caminho e rumo rodoviária. Lá conhecemos o famoso Grego, sujeito esperto que cobra uma taxa de R$1,50 para levar os turistas a um restaurante da região. Por bons R$10,00, finalmente comi feijão, esta menina e eu tomamos uma coca do Brasil e me despedi as 15h00. Depois de 18 dias consegui um ônibus com ar-condicionado, e mesmo sendo convencional, muito conforto. O jeito era tomar um chá de aeroporto em Campo Grande, pois pagar hotel não é de mochileiro, 12 horas do aeroporto vai ser super legal para esperar!
Fica a ótima impressão sobre este país, onde as pessoas vivem para trabalhar e diferente do que imaginamos, vale muito a pena visitar as belezas naturais e conhecer os diferentes costumes de um povo que mesmo ganhado pouco, apresenta ser feliz e adorar o seu território.

Dia 19 - Campo Grande, São Paulo (11-01-2012)
O dia nem começa pois estou no aeroporto a espera de um vôo que parece nunca chegar. Foram 13 intermináveis horas que se fosse de ônibus estaria em casa, mas claro que avião é sempre mais legal. Joguei muito Bomberman, Super Mario, Futebol e fui brigando com o sono, levantava e ia dar um volta, lembrando que na noite anterior foi aquela viagem horrível até Quijarro. Comprei um super pão de frios por R$2,50, vôo no horário para Guarulhos pela TAM, nem vi a cor do céu pois capotei no avião. De lá ônibus até Congonhas onde o avião deu problema e atraso de 1 hora para me ajudar. Umas tremidas durante o vôo e finalmente Curitiba, fim do mochilão. Tudo perfeito, nenhum problema grande, conheci muita gente do mundo inteiro, visitei cidades incríveis com pouco dinheiro.

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5 comentários:

  1. Cara é vdd que se precisa tomar alguma vacina ?

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    Respostas
    1. Sim, febre amarela internacional. No mínimo 10 dias antes, é de graça.

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  2. Precisa de passaporte pra fazer a travessia na policia federal?

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  3. Kotarosan,

    Pretendo ir para conhecer La Paz. Pelo que li em seu relato, vc teve algumas viagens de busão bem cansativas. Qual rota vc me indica ser a melhor, usando avião e ônibus? Que voo é esse até Santa Cruz, parte de onde?

    Diretão de São Paulo x La Paz é um absurdo de caro e vi que que se eu for de SP até Santa Cruz e depois de lá até LPZ é mais barato e mais rápido. O lance é chegar no país, e depois lá dentro me virar nos trinta.

    Lucas

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