sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

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PERU - Relato de Viagem


Dia 1 - Curitiba até São Paulo (13-12-2012)
Ônibus em Curitiba super no horário, o que eu não esperava era empacar ainda em Campina Grande do Sul. Muita fila e 2 horas de atraso para chegar em São Paulo. O mais intrigante era uma velha que ficou falando ao celular quase durante o trecho todo, tipo narrando o que ia acontecendo, acabei dormindo uns trechos para sobreviver.

Dia 2 - São Paulo até Lima (14-12-2012)
Chegada á 00h10 e fui obrigado a utilizar o Airport Bus Service, que é um taxi coletivo aonde você não paga a volta para São Paulo. Como a noite seria longa me joguei no chão do aeroporto e fiquei assistindo alguma coisa para distrair, no final da madrugada já estava até babando. Check-in da LAN aberto fui pegar meu cartão de embarque e infelizmente janela somente no primeiro trecho. Sala de embarque internacional, muita emoção e diferente por ser meu primeiro vôo gringo, já voei na Bolívia mas foi regional. Esperando um café da manhã decente no vôo, pois acabou meu lanche.
Depois de muita espera meu vôo saiu bem no horário para Santiago com tempo feio e no apertadinho A320 da LAN, assento 6F foram 4 longas horas até a chegada, um bom lanchinho de bordo com direito as Cordilheiras do Andes na final. O que importava mesmo era voar de 787, como tinha duas horas no aeroporto de Santiago fui dar uma conferida no que tinha dentro das salas de embarque, duty-free que de livre só o nome mesmo. Presentes no Chile só quando for mochilar na região, no horário entrei no Boeing 787 da LAN rumo a Lima, o avião é super novo dividido em 2 classes (econômica e executiva), a janela ela escurece com um botão embaixo dela, nada daquele esquema de abaixar a tampa. Estava no corredor e não dei bobeira, sobrou uma janela e corri para a poltrona a qual nem me lembro mais, era a segunda atrás da divisão do avião. Lanche super parecido com o do primeiro vôo, pão com queijo, doce de limão, refrigerante gelado e tomei até um vinho (suspeito que não deveria ser dos melhores). Foram 3h45 até a capital do Peru aonde aproveitei para tirar uma foto do cockpit. A impressão que a LAN foi boa, apesar da antipatia de algumas comissárias, afinal de contas todo mundo pagou para estar lá, então acho que a executiva tem muita frescura.
Na chegada em Lima foi preciso fazer imigração, ocorreu tudo normal mas a única coisa que não entendi é o seguinte, quando você pega sua mala vai para uma fila e aperta um botão, se ele ficar vermelho vão revistar sua mala e se ficar verde você vai embora, será que eles vão com a cara do cidadão? Fui reto e troquei 100 dólares na saída do aeroporto, fiz só para sobreviver até a saída de Lima que seria na mesma noite, a cotação foi horrível a 2,45, portanto troque só o necessário.
Sai do aeroporto e o custo precisava ser reduzido, como li que custaria em torno de 25 soles um taxi, resolvi me aventurar no transporte público, em Callao é uma zona que já tinha visto na Bolívia, por apenas 1 Sol consegui chegar na metade de onde tinha planejado, naquela doidera de transito, vans, gente gritando, pulando e o cobrando da van gritava, "sobe, sobe" ou "baja, baja", até parecia falta de educação mas é costume local, se você esta na terra deles aprenda a viver como eles. Me acertei com outra condução doida até o local de venda de passagens.
Acontece que em Lima e Huaraz até então não existe terminal central onde todas as linhas operem, cada uma tem sua garagem e os carros saem de lá. Acabei comprando para as 22h e 35 soles com a CIAL, deixei minha mala na empresa e fui atrás do mundo Mágico das Águas, pois não sei quando volto a Lima exatamente. Andando 2,5km foi possível perceber um pouco da rotina de Lima, bastante gente para todos os lados e um trânsito caótico, seria tradição das capitais andinas?
Antes de ir ao Parque fui fazer uma ligação ao Brasil por 0,30 soles o minuto, achei uma janta com o famoso Ceviche e tomei a famosa Inka Cola, tem um gosto de remédio, junto com ela tomei suco de milho que só fui descobrir o que na região de Ancash. Conheci o Mundo Mágico das Águas por 4 soles e posso falar que valeu demais, além dos espetáculos apresentando em cerca de 9 espaços, como foi legal de ver crianças e até adultos brincando com a água, devia estar fria pois precisei colocar calça no meio do passeio. Na volta acabei pegando um táxi pois Lima ainda é considerada perigosa algumas regiões. As 22h bus para Huaraz esperando encontrar belas paisagens no norte do Peru.

Dia 3 - Huaraz (15-12-2012)
Fora o fato de motorista meter um som 1 hora depois de sair o resto foi tudo bem, ele desligou logo e dormi até umas 5h30 quando estava começando a ficar frio e o GPS marcava próximo dos 4500 metros, 9 horas depois e uma bela estrada cheguei a Huaraz, localizada ao Norte entre grandes nevados a cidade esta a 3080 metros e um clima super gostoso. Na saída do bus ganhei um mini-lanche que só deu para aproveitar o suco e o biscoito, detalhe que a garagem da Cial é em uma rua super apertada.
Logo um cara já me ofereceu hotel e tour, como já tinha pesquisado sobre valores acabei fechando com ele mesmo, mas nunca compre do primeiro que aparecer, o nome da agência nem compesa falar que tem centenas delas por aqui. Quarto privativo a 15 soles sem café, wi-fi grátis, chuveiro quente e bem limpinho. O tours que havia programado fiz com o combo a 135 soles para 3 dias, valor abaixo do que o pessoal tinha pago, foi o Huascarán (50 soles), Chavin (45 soles) e Pastoruri (40 soles), aqui vale a pena lembrar para deixar o Nevado Pastoruri no final pois é preciso de aclimatar antes, altitude é complicada para os novatos e até experientes.
Já as 9h estava pronto e parti a Huascarán e Yungay ver lagos e montanhas, o passeio começa por Carhuaz onde fazemos um giro pelo povoado e comi um sorvete de cerveja a 2 soles, logo a cidade Yungay que foi destruída por um terremoto em 31 de maio de 1970, foram bilhões de toneladas que neve com terra e pedras arrastadas pelo caminho, em menos de 5 minutos não sobrou praticamente nada da cidade, fora um cemitério e 4 palmeiras. Apesar de ser uma história triste não deixa de ser curioso ver como a natureza destrói e reconstrói ao mesmo tempo, o local foi feitas alguma modificações para tornar a entrada do visitante menos triste, como árvores plantadas. O custo da entrada é 2 soles e conta a história de um povo que hoje é totalmente novo mas não esquece do que aconteceu.
Muito chão com paisagem incrível subimos dos 2500 metros em Yungay para os 4000 metros próximo ao Parque de Huascarán, almoço com trucha a 16 soles foi o suficiente para recarregar as baterias. Em Huascarán se paga 5 soles para ver a Laguna Llanganuco (3900 metros) entre os belas paisagens, na volta parada em Caraz apreciar os doces caseiros, não comprei pois 6 soles é um roubo pelo tamanho do pote.
As 19h00 estávamos de volta a Huaraz depois um longo dia, frio na cidade fui dar uma voltinha para observar o que rola em uma noite de sábado, alguns bares que pareciam legais, mas sozinho preferi dormir naquele dia, jantei uma sopa com macarão e chá por apenas 5 soles. Um primeiro dia bastante animado e não tive nenhum problema com a altitude, fora um levíssimo mal estar, que passou em questão de 10 minutos.

Dia 4 - Huaraz (16-12-2012)
O segundo dia começou com aquela volta pelo centro para tirar fotos e se preparar a uma longa jornada. Por 45 soles consegui o tour por Chavin de Huantar, que é a mais antiga civilização na América do Sul, fontes falam de 1500 a.C a 500 d.C. Mais uma vez o passeio foi feito somente com Peruanos, já que a região não é explorada pelo turismo de fora. 
Muita estrada depois chegamos a mais uma das lagoas da região, a Querococha esta a 3980m e esta cercada por nevados e possui uma transparência na água de dar inveja a qualquer fábrica de vidro. Mais de 1h30 depois já estavamos em Chavin, um distrito daqueles que ficam em um vale, então só lembrando que a estrada é sobe e desce com muito curta e esburacada, mas obras na região estão melhorando o acesso.
Não vou ficar contando o que foi Chavin de Huantar senão fica chato esse relato, com sorte no momento que eu estava por lá, acontecia um ritual não sei explicar bem o que era, misturava Mexicanos, Peruanos, Hippies e entre outras culturas, eu gostei. Tour completo, história bem bacana mesmo com o guia tirando qualquer dúvida que tinhamos, almoçar no povoado na região e aonde descobri o que havia tomado em Lima no primeiro dia. Pedi meu prato básico com Trucha e o refresco, como eles chamam por aqui, cor de vinho e cheiro esquisito, quando pedi para ver do que era feito, o cara me trouxe um milho escuro, resultado que foi a última vez que tomei esse negócio.
Foi um dia bem sussegado na região de Huaraz com o melhor para vim no dia seguinte.

Dia 5 - Huaraz (17-12-2012)
Terceiro dia em Huaraz com uma promessa, neve no Pastoruri por 40 soles. Acordei no horário padrão 7h40 para me arrumar e partir fazer o tour, saiu atrasado e troca de condução até a agência de acertar. A rota seguiu pelo Parque Huascarán com belos nevados, pela primeira vez encontrei Brasileiras na região, duas meninas de Campinas que estavam com o roteiro até Bolívia e Chile, elas seguiram no outro ônibus e fomos se encontrando pelo caminho.
A primeira parada acontece em um restaurante em Recuay para tomar um belo chá de coca e comprar doces. A segunda parada é realizada em um lago aonde é possível encontrar gaseificada, não tomei pois andei exagerando na comida no dia anterior, só na base do soro e sopa. Próxima é uma planta bem doida aqui da região, são mais 6 metros de altura. Claro que nada disto me interessava, 3 horas depois e 4800 metros de altura começava a caminhada rumo ao Glaciar Pastoruri, antigamente era possível explorar todo o nevado mas devido ao aquecimento global ele vem diminuindo 10cm todo ano. Nisso fui acompanhando as amigas Brasileiras por um caminho de no máximo 40 minutos.
Quando começou a garoar eu tinha uma certeza, estava a 5 mil metros e uma levissima neve começava cair, se tivesse ficado nisto já estava com o passeio ganho. E nisto foi caindo aos poucos até chegarmos ao Glaciar, o local é espetacular principalmente para nós Brasileiros quem não temos chance de ver toda hora. Muitos Peruanos querendo tirar fotos conosco. Não é possível subir no Glaciar Pastoruri pois existe maior parte de gelo e não neve, o tornando perigoso. Para tirar boas fotografias existe um rio que este congelado, rendeu imagens de uma Rússia da vida. Após os guias pressionarem para voltarmos ao ônibus, fui aproveitando cada segundo até que a neve começou a cair um pouco mais forte, mas nada de juntar bolinha e jogar nos outros. No caminho de volta finalmente a neve veio forte em um espetáculo que jamais havia visto, os flocos de neve em formato de estrela pareciam desenhados a mão. Naquela hora todo mundo vira criança novamente e o frio começou a apertava, eu estava com uma toca, uma blusa branca por baixo e a camisa do Brasil e só, um moleton iria bem mas não tive vontade de colocar tamanha empolgação em ver a neve caindo pela primeira vez na vida. É muito bonito ver as montanhas que antes estavam verde ficarem branquinhas, senti que o negócio estava frio quando minha mão esta congelada e a fala saia meio errada, sensações novas que valem a pena ser vividas. De volta a van olhava para fora com cara de idiota, ou melhor dizendo, sonho realizado da melhor maneira possível pois ninguém esperava que fosse cair neve. Era hora de voltar para Huaraz e almoçar 5 da tarde, foi a base de sopa de macarrão com chá de coca, aquele dia já estava ótimo mas iria melhorar mais ainda.
Depois de banho fui encontrar as Brasileiras na Plaza de Armas, queria tirar uma foto com o Papai Noel bizzaro mas não pago para isto. Decidimos ir procurar algum lugar para curtir a noite, primeiro passo foi curtir uma jarra de Pisco Sour por 20 soles, é uma bebida típica da região mas não tem nada de especial, é Sprite com álcool que no final das contas fica com gosto de caipirinha. Neste bar acontecia um jogo em cima do balcão, o pessoal ia montando um castelinho com peças de madeira e aos poucos iam tirando de baixo e colocando em cima. Gostamos e fomos ver o que rolaria de balada numa segunda-feira, entramos sem pagar nada (aprende Brasil) e beber alguma coisa, tomei a cerveja local conhecida com Cusquenha, para variar quente comparado a qualquer lugar. A balada deles é um pouco diferente dos nossos costumes, é difícil ver aquela pegação ou mulheres usando decotes e as danças são mais simples. Como não sabiamos dançar aquele ritmo fui pedir algumas músicas Brasileiras, tempos depois começou a tocar Asa de Águia e fomos para o meio do espaço tentar relembrar as coreografias, depois tocou Michel Teló (nem vou falar qual música) e para terminar Tchakabum com a Dança do Avião. As Brasileiras e eu ali no meio tentando inspirar os Peruanos que até deu certo, aonde um “borracho” chegou para dançar junto, na verdade ele estava afim de ficar com uma das meninas, não deu certo. Posso falar que mesmo pelo pouco tempo que fiquei foi uma das melhores viu, primeira vez na gringa não é possível esquecer.
Terceiro ponto foi ir a um karaokê só em inglês mesmo, nunca havia cantando na minha vida e mandei “Mamma Mia” do Abba. Como estou tão longe de tudo e não tenho nada a perder o negócio foi curtir o momento, também foi a primeira vez na minha vida que vi servirem pipoca em uma casa noturna, as meninas se atracaram no petisto até umas 2 da manhã onde partimos para uma outra casa da região, também vazia por ser uma segunda-feira. Neste lugar também foi rolando um karaokê até que entrou o Americano doido, havia visto ele na balada do Michel Teló com seu violão nas costas. Era visível que ele estava bem doidão, só que mandando super bem nas músicas e contanto histórias aos montes, inclusive que iria fica 8 meses no Peru sem visto. Tempos depois foi hora de voltar para casa pois não pode se perder nenhum dia das férias. Deixei as meninas no hostel e as 3h23 esta. Estava encerrado um dos melhores dia do ano sem qualquer sombra de dúvida.

Dia 6 - Huaraz (18-12-2012)
As 7h de pé e sem sono, como havia desistido de ir a Trujillo no dia anterior fui conferir para aonde poderia viajar, acabei é comprando a Trujillo na mesma noite as 21h pela Linea no serviço econômico, 35 soles e 9 horas de viagem. Nada planejado fui no hostel das Brasileiras ver a programação. Fechei um passeio onde gastamos 40 soles só para rir mesmo.
Só para variar subi em uma van e mudei para outra, tudo certinho partimos para ver uma cachoeira no meio no nada, um mini sitio arquelógico e para terminar águas termais. Quando falei que paguei para rir é porque você ir para o nada e ver uma cachoeira é sem graça para Brasileiros. Os fatos engraçados foram acontecendo, primeiro uma menininha de 5 anos sentou no meu lado e foi azucrinando boa parte da viagem até sua mãe a tirar do fundo da Van, quando chegou no início da trilha vi um cavalo soltando peidos em uma sequência incrível, 30 minutos até o topo da queda d’água e o estranho voltou a acontecer, acho que todos os 10 peruanos queriam fotos conosco, nesse momento vi o quanto o Brasileiro é realmente querido na região, as mulheres queriam fotos comigo e com as Brasileiras, me senti um ator de TV tirando fotos com todo mundo, mais um momento daqueles.
De volta a Van fomos ver um mini (mas coloca mini nisto), sítio arqueológico no meio do nada, bem se graça mesmo. De volta a região de Huaraz foi almoçar e o pior aconteceu, pedi o prato lei que é Trucha, as Brasileiras resolveram pedir Cuy e digamos não se deram muito bem pois na mesa aparece uma espécie de rato com a cara, boca aberta e até as unhas no pé, tipo bem bizzaro mas eu dei umas mordidas no bicho sem saber o que era. O gosto não é ruim, apenas o tempero muito forte de pimenta deixa a iguaria pouco atrativa ao turista, 20 soles perdidos e muita curiosidade em saber o que era.
Fomos as águas termas esperando algo muito legal, mais 2 soles jogados no lixo, existem várias opções para curtir o local, nenhuma me agradou pois a de 2 soles é tipo um buraco no chão dentro de uma sala fechado com água quente, detalhe que o ambiente é bem toscão. A segunda opção era curtir uma sauna com várias temperaturas, só aguentei ir até a porta da caverna, isto mesmo, espécie de uma caverna com cheio de mijo forte na entrada.
Evidente que passei reto desta atração e a idéia era descobrir o que era cuy, quando perguntei ao atendente do restaurante o que o cuy, uma chola do meu lado deu uma risada bem bizzara, acho que ela estava achando super engraçado eu não saber o que era, o triste foi ver um porquinho da Índia na mão dele, não senti nojo e até comeria um outro dia.
O jeito foi aproveitar e ficar observando as pessoas locais até quem foi nas termas voltar, uma Chola fazendo seu artesanato tem seus momento peculiares, a mesma mão sem lavar ela fazer carinho do carrocho, na criança, coloca a agulha na boca, na orelha e aonde mais for possível, para completar o dia de risadas grátis na volta até a van, uma Peruana fez posse para sair na foto, aconteceu que ela escorregou e fez literalmente uma abertura em 180 graus, estava com as Brasileiras a cerca de 2 metros e vendo a cena só tivemos a reação de abaixar a cabeça, passar pelo local e depois rachar o bico.
Apesar do dia ser meio uma decepção em conhecer lugares legais, foi muito engraçado tudo o que foi acontecendo, de volta a Huaraz as 18h não tinha muito o que fazer, bastava esperava o ônibus as 21h para Trujillo, também sem rodoviária fui embarcar na garagem da empresa, na porta do ônibus tem um policial com detector de metal ou drogas que passa na sua mala, e você precisa deixa sua impressão digital no manifesto de viagem, tudo certo e as 21 horas embora para a costa Peruana onde iria ver as águas do Pacífico de pertinho.

Dia 7 - Trujillo (19-12-2012)
Após 9h30 chego a quente Trujillo, 34m acima do nível do mar. Fui garantir meu lugar a noite para Chachapoyas pela Movil Tours, 65 soles no semi-cama. A dica nunca é confiar em taxista Peruano, é perder dinheiro, pergunte onde fica o seu local e mais ou menos a distância, na hora de sair da garagem da Linea é aquela chuva de taxista loucos por uma corrida, falando que era longe, acho que nem foram 10 minutos para chegar.
Bagagem já com a Movil Tours segui para a Plaza de Armas que esta toda enfeitado para o Natal, rendeu boas fotografia. Logo fui ao Mercado Central para um café de manhã, olho para todos os lados e vejo gente comendo sopa, frango ensopado, arroz e qualquer outra que não seja pão. Acabei achando por 2 soles um pão com queijo branco e tipo era assim, tinha cor de leite, a tia falou que era leite com mel, mas o troço não tinha gosto de leite e parecia pudim quando coloca muito leite sabe?
Fui olhar os passeios disponíveis na cidade e nenhum me chamou atenção, mesmo o Chan-Chan que havia programado, 15 soles e mais 13 dentro do local, que era para ficar vendo um monte de coisa antiga sem entender nada. Como taxi só em local perigoso, fui ver qual era do aeroporto de Trujillo, descobri que não era nada. Por enquanto o aeroporto mais palha que conheci em toda minha vida, valeu a experiência em pegar um circular aonde o banco parecia que iria sair do lugar e sair voando, por 1,40 soles desci em um Shopping Center, só que é bem diferente do Brasil, é a céu aberto e meio confuso para conhecer tudo.
Preferi voltar ao principal da cidade e ir conhecer o artesanato local, os preços estavam legais que acabei comprando uma mini Cusquenha de lembrança para mim mesmo por 3 soles. Encontrei um daqueles tocadores de flauta que parece só existir no Brasil, o Corinthians esta bem em alta no Peru, pois não falta camiseta do Guerrero. Andei por quase 3 horas nas principais ruas quando parei para almoçar e decidir uma coisa, vou tentar sempre comer bem por 5 soles, foi arroz com frango grelhado e feijão branco.
Relaxada na Plaza de Armas só esperando a hora do busão da Movil, por volta das 16h estava novamente na garagem dos caras para embarcar. Tudo tranquilo na viagem com uma simpática e timida rodomoça, sim Brasil isto existe aqui e eles sabem muito bem como fazer. Na primeira parada 4 horas depois da saída, em Chiclayo veio a supresa pois comprei na econômica, a rodomoça veio com uma jantar expertissima, arroz com carne e um molho com vários temperados bem gostosos, ainda teve coca-cola (quente... mas nem dá para cobrar muito). Após pela primeira vez na minha comer arroz dentro de um ônibus seguimos a longe Chachapoyas.

Dia 8 - Chachapoyas (20-12-2012)
Voltando a 2300 metros a coisa ficou fria em Chachapoyas, foram 14h30 de viagem para chegar ao departamento de Amazonas, que não existe relação nenhuma com o Brasil. O ônibus chegou por volta das 7h e só tive tempo de achar um hostel por 15 soles, no caso foi o Amazonas bem na Plaza de Armas, já falei que toda cidade tem uma praça né? Por este preço o quarto esta bom e o chuveiro gelado, temperatura externa perto dos 10 graus, e com certeza entrei numa fria na hora do banho.
Como o único tour que me interessava era o de Kuélap, fechei por 40 soles aqui mesmo no hostel e as 8h30 já embarcava novamente. Mais 2 horas de entrada com belas montanhas e muita estrada até chegar ao antigo sítio arqueológico de Kuélap (15 soles a entrada), que foi uma das civilizações mais antigas do Peru, por volta de 500 anos atrás, Kuélap é considerada a Machu Picchu do norte, só que não tem aquela muvulca toda e custa muito menos. Históricamente o tour foi bem bacana, com o guia explicando cada detalhe das casas da civilização Chachapoya, o que intriga ainda é como fazer enormes muros e ficar carregando as pedras em tempos remotos.
Almoço foi com a tradicional Trucha por 12 soles com direito e chá de coca, na mesa mais gringa até o momento tinha México, Ucrânia, Bélgica, Inglaterra, Peru e claro Brasil. Muita estrada até voltar a Chachapoyas foi hora de explorar o que a cidade tinha a oferecer, alguns bares não muito animados como um Huaraz o jeito foi aproveitar o clima de montanha da cidade e conversar com a Mexicana que conheci em Kuélap. 

Dia 8 - Chachapoyas e Tarapoto (21-12-2012)
A volta para o sul do Peru não tem sido muito fácil, neste dia encarei acredito o pior transporte aqui dentro do pais. Após acordar cedo e ir tomar um café da manhã, fui embarcar as 10h00 na van da Transportes Selva, me levaria até Tarapoto. Além de um transporte apertado é praticamente sem parada, apenas para embarcar novos passageiros e uma rápida parada em Nueva Cajamarca para dar aquela mijada. Tudo bem que a estrada é muito bonita e com bilhões de curvas para todos os lados, mas chega a dar ansia de tanto virar e claro, sempre viajando do padrão Peruano, ocupadando as duas pistas e muitos sustos com enormes caminhões raspando o vidro da van.
Depois de muito sobe e descer, calor e frio da chuva as 17h chego em Tarapoto, é uma típica cidade grande, para os padrões dos caras, assim como Trujillo existem grandes centros comerciais e a tradicional Plaza de Armas onde a maior parte da população se concentra.
Corri para tentar voltar a Lima de maneira mais rápida, pois 26 horas de ônibus neste momento não seria o ideal, na LAN muito caro e na Star Peru para a manhã seguinte a ótimo preço, $ 111 dólares se tratando a 3 dias do Natal e comprar com um dia antes. Com um hostel a 25 soles o jeito foi fazer o city tour básico e ir até a feira de artesanato. A praça de armas estava bastante animada e enfeitada para o Natal, com teatro para as crianças e muitas pessoas aproveitando aquele clima de paz, foi o que a cidade me passou. 
Na cidade também é possível sentir como os poucos Brasileiros na região são queridos, na feira de artesanado a gordinha perguntou de onde eu era, e quando falei que era do Brasil pediu para que falasse “Eu ti amo” em português, ela falou que achava muito bonito o jeito que os Brasileiros falavam, apesar de rápido e não entender tudo. Olha que coincidência pois também acho que os Peruanos falam rápido demais! Já na praça comecei a conversar com uma tímida Peruana que tinha uma filha de 2 anos muito linda, só para se ter noção os residentes viajam pouco dentro do Peru pois as tarifas são caras demais? Outra coisa idêntica ao Brasil, se os governos cobrassem menos impostos ás empresas de transporte teriamos a econômia girando melhor dentro do país.
A curiosidade de Tarapoto fica pelas numerosas “tuc-tuc”, aquelas motos que viram super utilitários, se você for ao Peru e não andar nelas é sacanagem, não é confortável mas muito prático pois existem em qualquer lugar e uma corrida fica em torno de 3 soles na cidade e 5 soles até o aeroporto. Este dia que era para o mundo acabar não foi muito produtivo, me ajudou a economizar horas e horas dentro de um ônibus.

Dia 10 - Ica (22-12-2012)
De pé as 07h e pronto para ir ao aeroporto fui comer alguma coisa no mercado que fica bem perto da Plaza de Armas e consegui dois belos sanduiches de frango com suco natural por 6 soles. Voltando para o tuc-tuc e um pouco de emoção estava no aeroporto para o vôo da Star Peru. Por coincidência na Bolívia voei o mesmo modelo de avião entre Santa Cruz e Sucre, tudo tranquilo até Lima e um dia inteiro a menos na estrada, no jornal local notícias do Corinthians e que as passagens de ônibus estavam subindo devido ás festas, o lanche bacana com pão e queijo, Inka Cola quente, óbvio.
Em Lima aquela muvulca no trânsito e nem quis saber de taxi, fui de van mega apertada com as duas mochilas e quase 1 hora depois desci a cerca de 2 km do meu destino, o terminal da Peru Bus que me levaria a Pisco por 30 soles. Tinha uma idéia de ir a Chincha Alta ver o que sobrou do terremoto de 2007, mas quando passei de busão por lá, vi que era apenas uma cidade normal. Resultado que passei direto e desci em Pisco, tem hora que fazemos cagada não é? Esta foi uma delas. Primeiro que o busão da Soyuz (pertence a Peru Bus), para na estrada e faz o embarque por ali mesmo, perguntei a um policial o que tinha em Pisco e ele falou nada fora Ballestras e Paracas, nos meus planos estes tours iria fazer de Ica, outra cagada pois Ica fica a 100km de Pisco e acabei pagando mais caro pelo descolamento. Lá estava eu no meio da Rodovia Pan Americana pensando na vida, decidi que o menos pior naquela hora seria seguir Ica, ônibus da mesma Soyuz por 5 soles e por volta das 19h chegava na cidade. Agora sério mesmo, se for fazer Lima-Ica pegue um busão direto, foi muito ruim parar em todos os lugares, no total mais de 5 horas para fazer 150km.
Pela primeira vez me senti um pouco inseguro no Peru, mesmo com muitos policiais espalhados pela rua, mas nenhuma ameaça rolou, apenas um clima diferente até então. Primeira coisa foi fechar Ilhas Ballestras, Paracas e Huacachina para o dia seguinte, a brincadeira saiu 100 soles que era o esperado. Ica é uma cidade que considero normal, sem muitos costumes locais, como por exemplo, a presença de cholas ou cultura regionais.
Era sábado e algumas baladas faziam o esquenta dos Peruanos, mas nenhuma chamou minha atenção. Conversando com moradores fui muito instruido a não ir nestes lugares, o que só aumentou minha teoria sobre ser uma cidade menos tranquila. Resultado da noite foi ir jantar por 5 soles em um tradicional prato feito, ficar rondando a Plaza de Armas e ir dormir, pois no dia seguinte o despertar previsto para as 6 horas

Dia 11 - Ica (23-12-2012)
Promessa que van iria passar 6h45 para me buscar na Plaza, passou 7h15 e partimos rumo as Ilha Ballestras e Praia de Paracas, pela primeira vez me senti em um local turístico, com aqueles gringos branquelos e suas roupas inconfundíveis. Todos no barco a dar um visual nos golfinhos que timidamente apareceram, mas o barco traria boas emoções ao passeio pois a cada pulo na água parecia que aquele troço iria capotar e todos iriamos boiar no Oceano Pacífico. 
Questão de 30 minutos as primeiras focas, pinguins e umas aves começaram a aparecer, muito bonito ver como podem várias espécies viver numa boa, o único problema era o enorme cheio de peixe pobre com bosta vencida, não sou fresco mas que deu vontade de vomitar. Passeio bacana e por volta das 10h30 um tour pela praia de Paracas, nada demais além do calor de doido na região.
Hora de volta a Ica e esperar o passeio interativo que eu chamo, ou seja, você participa em vez de apenas olhar. Por 40 soles fui ir a Huacachina, andar em um carro bem doido pelas areias e fazer sandboard, como nunca tinha andando em dunas daquele jeito a cada subida do carro era uma montanha russa, no tour básicamente Peruanos e uma Canadense. Os gritos da galera eram igualzinhos a um parque de diversão, nem preciso falar o quanto foi demais. Em determinados momentos o motorista parava em uma duna e era tempo de tentar surfar, na primeira tranquila fui deitado, até que consegui descer uma inteirinha de pé na prancha, algumas emboladas no caminho e na última foi a melhor, uma queda enorme e eu deitado, só lembro-me de me segurar bem na prancha, pegar muita velocidade e se embolar no final, um dos melhores passeios sem dúvida destas férias.
Huacachina é uma mini cidade que vou construída ao redor de um lago natural, é meio esquisito de entender como a natureza é capaz de criar um lago no meio de milhões de toneladas de areia. Comprar coisas por lá é fria, preço de turista europeu.
Voltando a Ica fui arrumar as coisas e seguir a Nazca por 12 soles com a Flores, tudo bem que o ônibus era simples, agora colocar 63 lugares aonde no máximo cabem 50 é sacanagem, apertado assim só na Bolívia no trecho La Paz até Copacabana. O busão sai 19h30 e chegou 22h15 e fiquei dormindo numa boa, quando olhei e vi que havia ninguém desci e perguntei, Nazca? Óbvio que era e rumo a Plaza de Armas procurar hostel, por 25 soles com um tosco café de manhã fiquei no Mirador de Nazca, alguns gringos na cidade e deixei para ver tours na manhã do dia seguinte.

Dia 12 - Nazca (24-12-2012)
A partir de Nazca tudo muda no preço, pois começa o roteiro do sul, ou seja, mais caro e cheio de turista. Depois de ler e entender vi que Nazca é centro de exploração dos turistas perdidos, resumo que não fiz nada na cidade, além de apanhar do Natal, pois nestas datas todos querem comemorar, inclusive o motorista do ônibus. Após tomar café fui conferir o que a minúscula Nazca tinha, um cemitério e as famosas linhas. Existe o tour de avião por $80 dólares com o sobrevoo das linhas que vale a pena para quem tem o dinheiro, e o que custa 50 soles até o Mirador, agora eu fiz assim, paguei 3 soles e fui até o mirador, 2 soles para subir e fiz a mesma coisa. Muitas partes do Peru são assim, se um guia lhe faz falta pague mais caro por isto. No meu caso eu prefiro ler a história depois, na torre você vê 3 figuras e esta de bom tamanho.
O visual de deserto é bem legal e fiz imagens típicas de filme americano, mas em Nazca é caro as coisas, fora o tour pela cidade fui tentar ir a Arequipa. Como andei até achar uma passagem pela Andorinha Tour a 65 soles, empresa daquelas fundo de quintal. A maioria tudo fechada devido Natal, na Ormeño tinha passagem para Tacna, acabei decidindo fazer o roteiro, quando voltei na garagem não tinha mais ônibus nenhum e as 21h30 embarquei junto com um Peru (animal mesmo) rumo a Arequipa.

Dia 13 - Arequipa (25-12-2012)
Depois de quase 10h de estrada e fedido ônibus, chegava a cidade branca. Arequipa é cercada por um nevado fantástico chamado El Misti, que por sinal estava nos meus planos, logo foi por água abaixo por problemas técnicos (caganeira). Novidade também que Arequipa tem um terminal de ônibus, o que vai facilitar a partida para Puno no dia 27, após uma olhadinha básica na região decidi ir até a Plaza de Armas de transporte público por apenas 0,80 soles, para procurar hostels, aquele papinho de sempre dos Peruanos, que estão todos lotados e que somente no meu hostel eu lhe faço a 30 soles. Achei do lado da Plaza por 20 soles, banho quente mas compartilhado. Nem pensei duas vezes, a dica é ficar no Colonial Inn. Banho, descansar um pouco e partir conhecer um pouco da mais bela Peruana, Arequipa tem uma arquitetura muito bonita, como um enorme centro histórico. Como a fome aperta fui procurar o mercado central, fiquei bobo por conseguir um sanduiche de frango com ovo por 3,50 soles e quase 1 litro de suco natural por 3 soles, falo natural porque a tia corta a fruta na sua frente e faz a parada acontecer, isto no Brasil se é que existe custa sabe lá quanto. De barriga cheia fui ver os tours disponíveis, acabei desistindo do El Misti, pois não tinha capacidade para tal feito, talvez me preparando melhor. Fechei o tour com trekking no Canion de Colca por 105 soles mais 40 soles de entrada no parque, esta em um preço interessante comparado aos relatos lidos na internet. Mais uma volta pela cidade e quando volto a Plaza de Armas estava acontecendo uma espécie de carnaval, calma que não tem nada a ver com o Brasil, mas sim manisfestações culturais com Peruanos com trajes típicos e cantando músicas que não entendi é nada. Finalmente pude perceber o turismo no Peru, com centenas de gringos com aquelas caras de pastéis.
Não tinha nada programado para este dia, voltei ao hostel para descansar um pouco mais e no final de tarde retornei a Plaza de Armas, assim como fiz pela manhã, visitei algumas igrejas no centro e claro a catedral principal é de impressionar, estava acontecendo uma missa e fui impedido de entrar, achei tosco pois eu poderia muito bem ir assistir a missa. A dica para fechar a noite é ir comer em algum chifa (o tradicional china no Brasil), por aqui as coisas parecem mais civilizadas, eles preparam o rango ali na sua frente, um talharim saltado me custou 5 soles e fiquei sem fome. Despertar para o próximo dia 2h45, o Canion de Colca prometia.

Dia 14 - Arequipa (26-12-2012)
O dia 26 começou bem cedo, as 2h45 estava de pé esperando a van do tour para Colca, previsão até 3h30 que claro passou as 4h. Como Arequipa é uma cidade bastante turística, só tinha gringo na tour com suas roupas incomparáveis, como isto não me importa vou contar que é cansativa a viagem até Chavin, são cerca de 3h até o café da manhã no meio do nada.
Um suco doidão quente de abacaxi com uns troço dentro e finalmente encontrei mais duas brasileiras, mas elas seguiram a outro destino.
A esperada visão dos Condores é bem bonita, mas o bicho parece um urubu mais ajeitadinho. Digamos que é mais chique para voar, consegui boas imagens e partimos para a surpresa do dia. Na agência foi comentado que seria um trekking pelo Canion de Colca, eu só não esperava que fosse tão pesado.
Segundo o guia Juan iriamos caminhar 18km no primeiro dia e 6km no segundo, beleza pois estou acostumado, o problema foi o sobe e desce durante o dia. Altitude inicial 3500m e duas horas descendo estavamos a 2400m, um pouco de suor e duas austríacas meio piradas pelo caminho, chegamos ao primeiro ponto de parada. Almoço bem simples com carne de llhama refogada, batata e arroz, o assalto ficou pagar 5 soles por uma coca 500ml. Pensando no trabalho que alguém tem para levar esta garrafa até no meio do nada não fica tão caro, o curioso que estava semi congelada, enquanto isto na cidade eles insistem em vender com temperatura ambiente. Foram cerca de 3 horas até este ponto e a segunda etapa seria bem mais puxada, era um tal de sobe a 3000m e desce para 2400m que cheguei a parar e pensar, o que eu estava fazendo ali. Como qualquer desafio da vida precisa ser vencido fui em frente, foram mais 3 horas até chegar a um local com piscina (isto mesmo), quarto para dormir e uma cadeira de praia, por sinal estou nela escrevendo este dia. O local não tem luz como informação aos viajantes, então um banho geladinho para dar choque térmico foi básico. O legal que me esqueci de levar uma cueca para trocar, então portanto estou me sentido como vim ao mundo, já que lavei durante o banho congelante.
Não tem como descrever a sensação de voltar algumas gerações no tempo, é um vale sem energia, como barulho das águas e dos bichos locais. Falo isto porque em 9 dias vou estar na loucura que é São Paulo, são momentos da vida que merecem muito ser guardados.
Janta com sopa (a vá), e o segundo prato muito básico, um mix de salada, arroz e batata com queijo branco derretido. Foi um dia que não estava no meu roteiro, pois pensava em fazer o Canion de Colca sentadinho em uma van, no outro dia 3 horas de subida forte para voltar a Arequipa, despertar desta vez é as 04h40. 

Dia 15 - Arequipa (27-12-2012)
Um dia que começou muito cedo, após dormir em um belissímo vale as 4h40 de pé para começar a subida rumo a 3500m. Grupo reunido com o guia Juan partimos ao topo do Canion de Colca, evidente que senti a forte escala sem qualquer trecho reto. Previsão era de 3h até o topo e que foi cumprida a risca, em 2h40 cheguei relativamente cansado. Pelo caminho encontrei gente do mundo inteiro, mochileiros que preferiram a interação com a natureza, ao invés de uma confortável van.
Mais um pouco de caminhada para o vilarejo próximo para o café de manhã e relaxar com um belo sol das montanhas, novamente suco super natural e 40 minutos de espera voltamos a estrada rumo a Arequipa. Finalmente achei bala de coca para comprar, o problema é o preço que custa no mínimo 2,50 soles por umas 10 balinhas.
Primeira parada foi para tirar fotos com os incríveis Falcões e algumas simpáticas Llamas, sempre se lembrando daquela propina básica para as cholas. Segunda parada foi em Chivay para almoço onde por menos de 10 soles era impossível comer, o guia indicou um raro buffet por 25 soles, mochileiro que se presa não cai nessas conversas.
A estrada é longa e os antiplanos são lindos demais, muito sobe e desce e paramos a 4900m com muito frio e um pouco de falta de ar, desce mais um pouco de horas depois de volta a Arequipa, mas foi sofrido no meu caso, uma dor de barriga daquelas sabe, tipo se você arriscar um peidinho pode se cagar inteiro, foram quase 2 horas de sofrimento até chegar no hostel aonde desci a lenha na privada. Neste dia tomei mais de 1 litro de soro e remédios para melhorar o estomago, deve ter sido efeito das inúmeras comidas de rua e falta de cuidado, mas mochilar é preciso interagir com a cultura local. A noite tour pela catedral, e hora de começar a encontrar gente bacana, a partir de Arequipa os turistas e mochileiros pintaram para valer, desta vez um casal de Canadenses e Brasileiros. O dia foi bastante cansativo pelas mudanças de altitude e fui dormir quase 2 da manhã depois de ficar conversando com uma Brazuca muito gente fina, próximo destino pela manhã era Puno.

Dia 16 - Puno (28-12-2012)
Acordei 6h40 e só tive tempo de jogar o resto das coisas na mochila e partir rodoviária, pois precisava passar por Puno e chegar a Cuzco na outra manhã. Precisei apelar a um dos milhares de taxi da cidade, mais uma pena não espere gentileza ou educação dos taxistas, ainda mais se você for Brasileiros e tiver a moral de falar o quanto irá pagar, não tenho dúvida que gringo só toma no olho no Peru. As 7h15 já estava a bordo de um velho e fedido ônibus da Julsa, esquemão apertado, somente com Peruanos e um preço de 20 soles. Acho que já falei que ele não cheirava muito bem né?
Depois de algumas horas paramos para ir ao sanitário, evidente que a céu aberto inclusive com mulheres fazendo sem nenhum pudor, é meio esquisito também com tanto mato ao redor alguém querer cobrar para um banheiro, talvez para uma cagada eu pagasse, aliás, os códigos número 1 e número 2 tem o mesmo significado que no Brasil. Passagem pela horrenda e bagunçada Juliaca onde até pensei em descer, desisti ao ver uma cidade que parecia ter acabado de participar de uma guerra. Por volta das 13h40 chego a Puno e como esperado uma cidade parecida demais com Copacabana na Bolívia, imediatamente fechei o tour para Ilha de Uros que estava no planejamento, saiu 25 soles com entrada. A passagem para Cuzco tirei pela Tour Peru a 35 soles no semi-cama para as 21h30.
Uma volta pela cidade e descobri que os preços estavam mais altos que imaginei, uma chuva forte caiu e voltei a rodoviária para o tour a Uros, barco quentinho com muitos Brasileiros e em 30 minutos cheguei ao destino. Conheci um casal de Blumenau que estavam subindo de carro pela Argentina com muitas histórias, nem preciso comentar como Catarinense é tudo gente boa. Também uma tímida Argentina estava no barco que comecei a conversar um pouco no caminho. A Ilha de Uros é um lugar onde se fede mijo mas com certeza merece uma passada, difícil de acreditar que existam pessoas que sobrevivam daquela maneira.
Dentro das ilhas flutuantes são falados pelo menos 3 idiomas diferentes, houve toda a explicação de como é produzida uma ilha e que dura cerca de 10 anos. O que me esqueci de perguntar como é a prioridade de tomar banho, o que eles sabem fazer muito bem é tirar dinheiro de turista, na boa mesmo, pagar 10 soles por umas lembraças bem simples não iria rolar pois em Puno o mesmo custa metade. 
O lugar fica no meio do Lago Titicaca e fazia muito frio naquele momento, o tour dura 3 horas e fomos presenteados com um belo pôr-do-sol, de volta a Puno combinei de ir com a Argentina para Cuzco, mas em ônibus separados pois já tinhamos comprado a passagem. A noite conhecer um pouco mais da fedorenta Puno e jantar no china pois é mais barato, alguns presentinhos e volta a rodoviária embarcar a Cuzco. Muita expectativa para chegar a tão esperada cidade Peruana, este com certeza o ônibus mais turista de todo o mochilão, muitas línguas se misturavam naquele espaço. Desta vez um bus razoável por uma viagem de média duração.

Dia 17 - Cuzco (29-12-2012)
Chegada as 4h00 e um clima já diferente em Cuzco, esperei um pouco minha amiga Argentina e partimos a um Hostel por 35 soles duplo, nem pesquisamos outro, o problema foi que eu não tinha como adivinhar que a água quente só funcionava das 8h até 22h no segundo andar. Tomei um semi-banho gelado que foi foda demais, uma dormida para descansar pois o dia seria na cidade mesmo.
Após conversamos decidimos ir no dia seguinte a Machu Picchu e retornar dia 31, aqui fica a grande a dica para quem quer economizar o trem, mas é preciso ter vontade para caminhar. Existem opções para ir por conta própria a Águas Calientes, mas o custo é praticamente o mesmo e muito mais trabalhoso. Primeiramente compramos os boletos de entrada por 129 soles somente para MP, agora sim era hora de comprar a van que nos levaria até a famosa hidrelétrica. É simples o processo, na Plaza de Armas existem inúmeras agência vendendo esse tour por 80 soles, não vale a pena pagar a mais. Todas saem pela manhã de Cuzco e regressam no outro dia a noite, só é claro não espere grande conforto em todos os sentidos, na van ou na doida estrada.
Com a entrada e transporte garantido foi tempo para aproveitar Cuzco, mercado, igrejas e o básico de todo mundo. Existe um boleto turístico de 130 soles que lhe dá direito a alguns lugares, mas não tive nenhum interesse pois também o preço estava salgado. O mercado São Pedro é ponto chave de toda a viagem, engraçado que justo em uma cidade super turística encontramos preços tão baixos, comparados a outros lugares do Peru. Por exemplo é possível bolsas por 12 soles, chaveiros por 3 soles, caixas de chá com 100 unidades por 7 soles, camisetas boas por 11 soles, cachecol por 7 soles e uma infinidades de produtos que só estando lá para ficar louco querendo comprar tudo. Fiz a minha festinha de artesanatos por lá e noite fui a Argentina comprar produtos para a festa de ano novo, no mercado rolou até um arroz, salsicha e ovos que fizemos para jantar, boa economia visto que por menos de 6 soles seria impossível comer alguma coisa em Cuzco. Muitos Brasileiros pelo caminho e duas curiosidades, uma menina de 9 anos veio me oferecer artesanatos falando em português e contanto coisas do Brasil, marketing forte heim? Outra que mais uma vez durante um mochilão de deparo com casamento acontecendo na porta da igreja principal da cidade.
Dormir antes da meia-noite que dia 30 iria rolar a ida para Águas Calientes.

Dia 18 - Cuzco e Águas Calientes (30-12-2012)
De pé as 7h00 e esperar a van combinada para as 7h30, claro que atrasou 1 hora para sair da cidade, trabalhando com overbooking eramos 4 Bolivianos, 7 Brasileiros e 1 Argentina rumo a MP, previsão de quase 7 horas de viagem até a hidrelétrica onde tinhamos que caminhar até Águas Calientes. Paisagem sempre muito bonitas, só que a estrada tinha bilhões de curvas fechadas e perigosas, sem dúvida até o momento a pior de todas. Algumas pessoas com sintomas de passar mal mas todos sobreviveram até o destino final, ás 15h30 na hidrelétrica começava uma jornada de praticamente 3 horas até Águas Calientes, o que o pessoal não estava esperando muito era anoitecer caminhando nos trilhos do trem.
Os guias falavam em 1 hora andando, não aconteceu e na chegada a cidade o clima de MP era total, o rio Urubamba ao lado do vilajero, os preços caros demais para mochileiros tornam AC a cidade para 1 noite apenas, por 17 soles dividi o quarto com a Argentinas e duas de Curitiba, mãe e filha viajando juntas, eu jamais levaria a minha velha para uma trip dessas.
Janta na base da sopa por 6 soles em um dos únicos chifas da cidades, dormir cedo pois despertar 4 da manhã, já estava virando rotina acordar tão cedo, como mochilar é um arte acamos encontrando o casal de Blumenau em um dos bares de AC, mundinho pequeno não? O dia não foi muito produtivo pois foi básicamente de descolamento, valeu a pena pois a poucas horas iria a Machu Picchu!

Dia 19 - Machu Picchu (31-12-2012)
O grande dia chegou, era dia de visitar um dos pontos chaves de todo o mochilão. De pé as 4h seguimos a MP caminhando pela trilha, a opção para os afortunados é o ônibus que custa $9 dólares e lhe deixa bem na porta. Sou guerreiro e segui a pé esperando algo um pouco mais fácil, não foi no final das contas, uma subida ferrada de praticamente 2 horas até o topo, muitas paradas, suor e uma bela econômia de R$20!
A canseira vai embora quando você ultrapassa o portão de entrada e esquece de pedir o carimbo no passaporte, só lembrei quando estava em Lima do carimbo. O fato de não poder levar comida para dentro de MP é ridículo pois eles não fiscalizam as mochilas, apenas olham as sacolas que aparentam ter uma quentinha, meus pães foram apreendidos mas devolvidos no final. Machu Picchu é um lugar histórico, bonitinho mas um pouco ordinário na minha opinião. Muita frescura do tipo não pode sentar na pedra, andar somente em rumos pré determinados, não pode encostar em algumas rochar. Isto pode fazer sentido para algumas pessoas, mas sejamos honestos, 129 soles para ver umas pedrinhas é foda. Cerca de 4 horas dentro a cidade perdida dos Incas foi possível observar como o local não é original e muitos pontos são feitos para ficar mais bonito, não estou criticando Machu Picchu, apenas comentando que poderia ser mais rústico digamos assim. Ao topo foi possível fazer a foto clássica com direito a visão completa de Waynapicchu, detalhe com um belo sol.
O local é uma fonte de renda forte para o Peru, conversando com um dos guardas e fazendo contas, MP arrecada cerca de $80 mil Dólares por dia em baixa e $110 mil Dólares e alta temporada, eu falei por dia e isto no final do mês de julho por exemplo $3,3 milhões de Dólares. O dinheiro não fica em Cuzco, ele vai a Lima e depois volta muito menos a região, inclusive existe uma rivalidade entre os Limenhos e Cuzquenhos em relação a isto.
Resumindo o clima é muito gostoso na cidade dos Incas, tudo é muito bonito mas é coisa para se fazer uma vez na vida. Fato que tinha pouco tempo para voltar o por volta das 11h20 comecei a descida até a hidrelétrica, cheguei em loucos 25 minutos até a ponte da estrada para a MP, nesta altura do campeonato a Argentina já havia ficado para trás pois eu queria passar a virada em Cuzco.
Uma cagada foi ir até Águas Calientes procurar por passagem de trem da Peru Rail, primeiro que esperei no lugar errado e quando me achei o atendente sequer olhou na minha cara, sério mesmo mas em muitos lugares o atendimento é horrível no Peru, por estar em lugar turístico esperava mais atenção. Depois de correr para nada me dei conta que eram 12h45 e a van partiria da hidrelétrica as 14h, mais um desafio a ser atingido, o tempo era muito curto mas a vontade de seguir era maior e pé nos trilhos para conseguir voltar a Cuzco.
A esta altura estava sozinho em caminho contrário de todos que chegavam a Águas Calientes, fazia um tempo bom até começar a chuva, e foram mais de três de água até o tempo estabilizar e as 14h20 eu chegava confiante do atraso (normal de Peruanos) a hidrelétrica. Por lá os Brasileiros e Bolivianos da ida. Missão cumprida e pernas cansadas pelo ritmo forte, acabei voltando e outra van para Cuzco, para variar super apertada mas desta vez com duas Peruanas super simpáticas para conversar, o que eu não esperava era o alucinado do motorista fazendo todas aquelas bilhões de curva igual a um débil mental, eu quase vomitei em cima de uma das Peruanas, parei tomei Soroche com água quente para reabilitar um pouco, mesmo conversando e distraindo um pouco com a pior da minha vida, parecia algo que nunca iria acabar, todas aquelas curvas com carros e ônibus na direção contrária parecendo que iria bater, naquele momento pensei que iria morrer de verdade e olha que é difícil sentir medo nas estradas. Foram sofridas 5h30 até Cuzco onde respirei aliviado com a chegada, pensando que se passei desta tempo bastante tempo de vida.
Por volta das 21h30 hora de tomar banho e ir curtir a festa da virada na Plaza das Armas em Cuzco, chegando lá o cenário era bastante bonito e esperava a melhor festa de todas. Só que a coisa começou a se tornar bem esquisita, fogos de artifício próximo as pessoas, gente jogando cerveja nos outros, enfim acabou virando uma bagunça em vez de festa, foi em uma dessas confusões que roubaram meu telefone, só fui perceber quando fui procurá-lo. Na hora estava muito apertado com todos se espremendo e eu só percebendo que algo acontecia tentei sair o mais rápido do local, e era cerveja para todos os lados. Resultado da virada de ano que fiquei até somente a meia-noite e fui ao hostel trocar as senhas do e-mails e rede sociais, pois estavam gravadas no telefone. Nem tentei recuperar o aparelho que sabia da missão impossível, é uma visão ruim que acabamos tendo do país, pois não foi turista e sim com certeza Peruanos que estavam ali apenas para roubar turistas, como todo ano fazem a mesma coisa. Fui conversar com a polícia e ela mesmo falou que os bandidos estavam rasgando as bolsas, não é que estraga uma festa de revellion, mas me deixou bastante chateado a situação. Cama depois da meia-noite e era dormir para esquecer o fato.

Dia 20 - Cuzco (01-01-2013)
Não poderia começar o melhor o ano senão na polícia turística fazendo B.O. do furto, só fiz pois o celular era de conta, assim posso cancelar sem multa, claro que segundo a lei apenas, o que a operadora vai falar é outro assunto. Quando chego para fazer o B.O. encontro um monte de gente digamos em situação e bem pior, que foram furtados dinheiro e documentos, muitos Brasileiros e gringos contando o mesmo papo.
Acabei ficando com duas Brasileiras do Paraná que haviam perdido muito mais do que eu, o dia em Cuzco era para ser o melhor do ano, acabou sendo meio triste pela manhã pois estavamos tentando inventar maneiras de resolver a situação das Brasileiras, fomos ao meu hostel ao delas e ainda não sei o que exatamente elas fizeram. À tarde tomamos um vinho para comemorar 2013 com chuva na Plaza de Armas e almoçamos em um China por 5 soles. A noite hora de reencontrar mais Brasil e conversar sobre muitas coisas, um dia diferente e agora o retorno para casa estava perto.

Dia 21 - Cuzco (02-01-2013)
Este dia valeu para comprar presentes no mercado e encarar a mais longe viagem de ônibus, próximo das 11h esta na rodoviária para comprar uma passagem por 130 soles até Lima, para ajudar não tinha como ouvir mp3 ou passar o tempo. Ônibus convencional sem encosto para as pernas foi o presente, depois umas 3 horas até cai em cima do gringo do meu lado. Bilhões de curvas estilo para Santa Teresa ajudaram a dormir, posso estar mentindo mas o ônibus fez apenas 1 parada para comer durante 22h30 de viagem, aconteceu as 16h em algum lugar misterioso. Seguimos via Ayacucho, Nazca até Lima aonde desci cansado de não fazer nada.

Dia 22 - Cuzco até Lima (03-01-2013)
Este dia valeu para comprar presentes no mercado e encarar a mais longe viagem de ônibus, próximo das 11h esta na rodoviária para comprar uma passagem por 130 soles até Lima, para ajudar não tinha como ouvir mp3 ou passar o tempo. Ônibus convencional sem encosto para as pernas foi o presente, depois umas 3 horas até cai em cima do gringo do meu lado. Bilhões de curvas estilo para Santa Teresa ajudaram a dormir, posso estar mentindo mas o ônibus fez apenas 1 parada para comer durante 22h30 de viagem, aconteceu as 16h em algum lugar misterioso. Seguimos via Ayacucho, Nazca até Lima aonde desci cansado de não fazer nada.

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